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VocĂȘ olhou para o horizonte hoje?

  • JoĂŁo Eduardo Ferraz Pereira
  • 7 de set. de 2020
  • 2 min de leitura

Essa é uma pergunta difícil, especialmente num momento em que a precaução obriga a nos encerrarmos entre as mesmas quatro paredes diårias. Se puder dar uma fugidinha do lar, tente olhar o horizonte. Jå ouvi falar de muita gente sabida que a falta da visão do horizonte nos encolhe as perspectivas, limita o pensamento e as possibilidades. Mesmo. O ato físico de não poder olhar para o além nos retira as capacidades de antever, imaginar ou construir um futuro, dado que é tudo tão próximo, e presente, e imediato, e limitado. O limitado nos encerra nas parcas possibilidades do agora, e sem horizonte não hå sonho, não hå a possibilidade de romper o possível, o a mão, o facilmente alcançåvel.


Longe de mim pregar uma busca aos seus sonhos, uma ideia de que tudo se realizarĂĄ, que Ă© sĂł encher o peito de ar e seguir na direção correta que o destino se encarregarĂĄ do resto. O destino, como sempre, se encarregarĂĄ das pedras, das indisposiçÔes, das chuvas e das trovoadas, mas tambĂ©m das surpresas, das coincidĂȘncias e das descobertas que fazem a vida mais fĂĄcil e simpĂĄtica. Mas sem horizonte quem Ă© que sai para lutar contra os moinhos em busca da histĂłria perfeita? Sem horizonte a gente nem faz outro cafĂ©, nem coloca outro disco na vitrola. A realidade imediata Ă© acachapante e claustrofĂłbica, sufocando qualquer possibilidade de rebeliĂŁo e busca pelo belo. Porque, se a vida Ă© bela, as paredes nĂŁo ajudam a ver.


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EntĂŁo aproveite o feriado e tente ver o horizonte. Pode ser na beira do mar, em cima de um morro, pela janela entre os prĂ©dios vizinhos. Ou pode ser fechando os olhos, lendo um livro, ouvindo um disco do Hermeto ou assoviando uma canção do Roberto. Mas largue de lado esse eletrĂŽnico no qual esteja lendo isso, agarre um caderno, uma caneta e se deite na almofada preferida. Porque os sonhos sĂł nascem com pelo menos um pouquinho de conforto, nem que seja momentĂąneo e ilusĂłrio. AĂ­ depois vocĂȘ atĂ© pode voltar para o computador ou celular, um pouquinho renovado, com o sorriso de quem saiu e fez um passeio. Mesmo sem ter feito.


Foto de Emre Kuzu no Pexels



Publicado no Medium


 
 
 
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